Carta não entregue ao destinatário
Me perdoa se não esqueci, aqueles tempos ainda doem. E tão mais difícil que esquecer um amor é também esquecer as cicatrizes que ele trás. Me perdoa se mais uma vez fui monstro, se mais uma vez te fiz cair. Parte de mim ainda está no mesmo chão, parte de mim ainda lembra com dor.
Me perdoa se esses tempos, te fiz lembrança. É que me afastar sempre foi meu maior ato de defesa. Mas lembrar, lembrar dói. E tentar esquecer é o mesmo que me forçar a lembrança.
Me perdoa se não fui quem você sonhou, os janeiros passaram rápidos até resolvermos que outubro era mesmo o fim. Parte de mim ainda escuta Nando e sorri.
Me perdoa por te escrever, me perdoa por evitar teu nome e por todos os mesmos poemas de juras requintadas e partidas rompidas. Me perdoa por assumir, que essa mesma parte que reclamo em ti é também meu mesmo mal.
Me perdoa por ter deixado as reticências da espera continuar, quando era só do ponto final que precisávamos. Você me feriu e eu te feri na mesma intensidade que acreditávamos que no abraço estávamos seguras.
Amor nunca foi um filme ou um conta de fadas. Quem seria louco o bastante para criar uma história de dor? O nós se desamarrou, e estávamos rompidas sem perceber.
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